Home office impacta dinâmica familiar

Desde o surgimento da Covid-19 um dos temas que tem recebido intensa atenção e abordagem tem sido o trabalho à distância, também conhecido como Home-office.

Desde o surgimento da Covid-19 um dos temas que tem recebido intensa atenção e abordagem tem sido o trabalho à distância, também conhecido como Home-office.

Mas a maioria das pesquisas e manifestações tem se concentrado nas formas que buscam obter um equilíbrio entre produtividade e conforto do trabalho distante do ambiente convencional, ou seja, dos escritórios.

Pouca tem sido a atenção dada aos impactos que esta alteração do ambiente de trabalho provoca na estrutura e dinâmica familiar.

É claro de que vale logo um registro de que o próprio sistema “família” passa por uma série de alterações, especialmente desde o início do século XXI.

Pesquisas recentes, tanto no Brasil, como no exterior, vem mostrando o surgimento de dinâmicas muito diferentes do que por muitos séculos foi considerado como o modelo tradicional de família. Mas, para efeitos desse artigo não devemos nos ater ao tema, que é campo tanto da sociologia, antropologia e psicologia.

O foco desta abordagem é provocar algumas reflexões sobre o impacto que a transferência do local coletivo de trabalho, se transferiu, muito rapidamente, e sem maiores preparos, para o interior do domicílio da maioria dos profissionais.

Em primeiro lugar vale também uma consideração de que, na maioria dos casos hoje em dia, a atividade profissional corporativa envolve tanto a figura masculina como feminina.

Esta situação já indica que ambos devam encontrar formas e condições de realizar o seu trabalho com um mínimo de isolamento e interferência do parceiro(a) e toda a dinâmica familiar. Condição esta nem sempre muito fácil de ser obtida na configuração tradicional dos modelos, arquitetura e distribuição dos imóveis residenciais.

Simultaneamente, para muitos casais uma convivência tão íntima, por um período mais prolongado, tem se mostrado complexa e difícil de administrar. Ou seja, começaram a surgir conflitos que antes eram atenuados por um período de distanciamento proporcionado pelo expediente externo, cumprido nos espaços corporativos.

Segundo alguns psiquiatras “em muitos casos o vírus veio escancarar problemas que já existiam, mas eram encobertos pela rotina”. Ou seja, segundo outros analistas “a intimidade prolongada tende a se tornar um caldeirão de conflitos”.

Na análise de Mário Pereira, da Unicamp, “diante do próprio silêncio, perde-se o álibi oferecido pelas tarefas cotidianas e pela vida externa. É quando surgem os problemas de convivência, as vivências de incompletude, as mágoas e os demônios domésticos”.

Uma empresa especializada em medicina ocupacional, que oferece teletratamento psicológico, registrou um aumento de 150% no número de atendimentos nos primeiros dois meses da pandemia.

Outra consequência bastante observada é a necessidade do casal rever seu sistema de divisão das tarefas domésticas e cuidado com as crianças. Culturalmente estas responsabilidades tendem a recair sobre as mulheres. Mas o quadro atual está exigindo que as figuras masculinas assumam também parte das tarefas, o que nem sempre vem ocorrendo de forma tranquila e cooperativa. Acrescido do fato de que muitas famílias ficaram sem o apoio da mão de obra doméstica.

É claro que também está sendo uma oportunidade para muitos pais educarem seus filhos no sentido de que assumam parte das responsabilidades dentro da casa. Um comportamento muito usual em outras culturas.

Fica cada dia mais claro de que esta pandemia está sendo considerada como um raro caso de evento ultrademocrático, na medida de que não poupa nenhuma classe social. Razão pela qual a tempestade atingiu a todos, embora a diferença seja de que cada classe social tem uma embarcação diferente para enfrenta-la.

Evidentemente os temores de instabilidade e medos, como desemprego, queda de renda, revisão dos hábitos de consumo, etc. estão afetando de forma mais intensa as classes sociais menos favorecidas, mas também já se alastram para a considerada classe média. Tanto empregados, profissionais liberais e pequenos empreendedores sentem os seus efeitos.

Enfim, a proposta desta crônica é provocar que as famílias ampliem seu diálogo para muito além das questões operacionais de ter que encarar o trabalho no seu ambiente doméstico.

O momento é oportuno para envolver todos os familiares no tema.

FONTE: https://administradores.com.br/artigos/home-office-impacta-din%C3%A2mica-familiar?fbclid=IwAR2yFga6mZ4qQXWhsote2yr6eU1xkAa9JOpR48LWwBosLtg_iUa9nYZ4VuQ

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